“A Força da Amizade” – ações de formação em S. Pedro de Sintra e V. N. Gaia

“A Força da Amizade” – ações de formação em S. Pedro de Sintra e V. N. Gaia
A Amizade !?

“A amizade é dos maiores presentes que uma pessoa pode ter e pode oferecer”. Estas palavras do Papa Francisco serviram de mote para a organização de dois fins-de-semana de reflexão sobre a Amizade no mês de novembro.

Para além de o mistério que a amizade traz consigo, quem tem verdadeiras amizades experimenta que ter um amigo é ter um tesouro. Num mundo repleto de solidão, saber que temos alguém que nos acompanha nos momentos alegres e tristes, fáceis e difíceis faz toda a diferença. A amizade é simultaneamente dom e tarefa. É uma realidade que não se pode exigir nem conquistar, mas manter uma boa amizade implica dedicação e cuidado.

Há amizades profundas e há “amizades” que se corrompem enquanto amizades. Apesar de ser um bem delicado e árduo, é necessário afirmar que a experiência da verdadeira amizade é uma das mais belas experiências humanas. É bom ter amigos por perto. É bom saber que existem vidas que se cruzam com a nossa e que nos ajudam a ser quem somos. Este seminário é um convite a aprofundar no valor desta realidade e a celebrar o seu bem inestimável.

16 e 17 novembro – S. Pedro de Sintra:
Porque não há amigos virtuais
23 e 24 de novembro em Enxomil – Arcozelo – V. N. Gaia

Porque é que a amizade nos preenche? Descobrir de novo o tesouro da amizade, refletir sobre como fomentar a amizade na família, entre as diversas gerações, no trabalho, numa era digital, a nível global, constituíram-se como situações e experiências partilhadas no Seminário “A Força da Amizade” que teve lugar nos dias 23 e 24 de novembro, na Quinta de Enxomil, em Arcozelo – Vila Nova de Gaia, com cerca de cinquenta participantes.

Escrever cartas à família e amigos de doentes terminais pode ser, segundo a abordagem filosófica de Margarida Góis Moreira, uma forma de descobrir a necessidade imperiosa e vital das relações de amizade que aquele “Cativa-me, por favor!” da raposa de “O Principezinho” manifesta. A amizade constrói-nos.

O modo como as Gerações X, Y e Z encaram as suas amizades, afinal, não é assim tão diferente, comprovaram as psicólogas e investigadoras da Universidade do Minho, Beatriz Pereira e Gabriela Figueiredo. Manifesta-se, utiliza recursos e atividades diversos, mas a verdade é que todos somos interessantes e podemos provocar empatia. Dar e gastar tempo com os amigos é um desafio para todas as gerações.

Como construir a amizade na Família? Carolina Lousada, economista, mãe de 5 filhos e Rosário Montenegro, mãe de 8 e avó de 30, descreveram as suas táticas para fomentar a amizade entre os diversos membros da família nuclear e alargada nas diferentes idades da vida.

Da reflexão num trabalho de grupo entre as participantes surgiram conclusões relacionadas com oportunidades e obstáculos à construção de boas e duradouras amizades.

A tarde de sábado terminou com a atuação a capella do Grupo AlmaGraham o qual apresentou algumas peças do seu repertório de canto gregoriano e renascentista.

Mariana Soares da Costa, Berta Catalão e Rita Silva partilharam as suas experiências de amizade nos respetivos locais de trabalho: uma multinacional, uma unidade de saúde familiar e uma empresa agroalimentar na área dos laticínios. Do equilíbrio entre as relações profissionais e as relações pessoais, entre conceitos como o trabalho em equipa, a autoridade, as chefias, a competitividade entre pares, a entreajuda e a exigência de resultados, surgiram desafios e oportunidades para potenciar melhorias no ambiente de trabalho e na produtividade. Não só é possível encontrar amigos no trabalho como necessário. Para tal, Berta Catalão assinalou alguns pontos-chave: conhecer as pessoas que trabalham connosco, valorizar as suas competências, usar de tolerância numa sociedade em que somos medidos pelo sucesso, combater vícios como a murmuração ou a mentira com a lealdade e discrição, dar exemplo.

Adelina Pereira, atual Presidente da Junta de Freguesia de Arcozelo e com uma longa experiência de direção de um agrupamento escolar, presenteou-nos com a sua e muitas outras histórias de vida onde a amizade era condição de eficiência no trabalho em equipa e desenvolvimento pessoal dos alunos e colaboradores.

Desconectar para conectar foi o objetivo que Carlos – professor de TIC – e Francisca Araújo, pai e filha, propuseram perante a constatação de que não existem amigos virtuais. Não pode haver amizade sem a presença. A procura da amizade virtual acontece maioritária e paradoxalmente entre os adultos e responde a um sentimento de isolamento e solidão, à necessidade de reencontro com colegas, amigos que se dispersaram.